A hérnia inguinal é um problema comum da parede abdominal. Ela acontece quando uma parte do conteúdo do abdome (gordura ou alça do intestino) atravessa uma área de fraqueza na musculatura da virilha, formando um abaulamento na região da virilha.


Essa condição pode causar dor, sensação de peso ou desconforto - principalmente realizar esforços físicos, ao tossir ou permanecer muito tempo em pé.


O tratamento da hérnia inguinal depende dos sintomas e das características do paciente, mas na maioria dos casos a correção é cirúrgica.


Quando a cirurgia de hérnia inguinal é indicada?


O tratamento padrão da hérnia inguinal sintomática é sempre cirúrgico. Na presença de dor ou desconforto frequente na virilha, aumento progressivo, limitação para atividades físicas ou

trabalho e episódios de encarceramento (situação em que o abalamento da hérnia não se desfaz), há indicação de cirurgia. 


Em alguns homens com hérnias pequenas e pouco sintomáticas, pode-se optar por observação clínica. Isso ocorre porque o risco de complicações agudas, como estrangulamento intestinal, é relativamente baixo (menos de 1% ao ano). Mesmo assim, muitos pacientes acabam optando pela cirurgia com o tempo devido à progressão dos sintomas.


Em mulheres tende-se a indicar a cirurgia mesmo em hérnias pouco sintomáticas, pela maior incidência de hérnias femorais (que têm maior chance de complicações). 



Como é feita a cirurgia de hérnia inguinal?


O objetivo de toda cirurgia de hérnia é reposicionar o conteúdo herniado e reforçar a parede abdominal, evitando que a hérnia volte.


Hoje existem duas abordagens principais:



1) Cirurgia aberta (técnica de Lichtenstein)


Na cirurgia aberta, é feita uma pequena incisão na virilha para acessar a hérnia.


O conteúdo abdominal é reposicionado e a área de fraqueza é reforçada com uma tela cirúrgica, que diminui significativamente o risco de recidiva.

 

Apesar de apresentar uma recuperação mais lenta no pós operatório e ter maior incidência de dor crônica quando comparada à laparoscopia, a técnica aberta é uma boa opção para pacientes com contra-indicação para anestesia geral, uma vez que pode ser realizada com raquianestesia. 



2) Cirurgia laparoscópica


A cirurgia laparoscópica da hérnia inguinal é realizada por três pequenas incisões no abdome, utilizando uma câmera e instrumentos delicados.


A tela é posicionada na região pré-peritoneal, reforçando a parede abdominal por dentro.


Vantagens da Herniorrafia laparoscópica:

Menor dor pós-operatória

Recuperação mais rápida

Retorno mais precoce às atividades

Excelente opção para hérnias bilaterais ou recidivadas


Estudos mostram que as taxas de recidiva são semelhantes entre cirurgia aberta e laparoscópica quando realizadas por cirurgiões experientes.



A tela cirúrgica é sempre necessária?


Atualmente, o uso de tela é considerado o padrão-ouro no tratamento da hérnia inguinal em adultos.


As técnicas sem tela apresentam maior risco de retorno da hérnia e hoje são reservadas para situações de exceção.



Como é a recuperação após a cirurgia?


A maioria das cirurgias de hérnia inguinal é realizada em regime ambulatorial, com alta no mesmo dia.


De forma geral:

Caminhar é liberado no mesmo dia

Atividades leves podem ser retomadas em poucos dias

Exercícios intensos geralmente são liberados após 3 a 4 semanas


A recuperação pode ser ainda mais rápida após cirurgia laparoscópica.


Quais são os riscos da cirurgia?


A cirurgia de hérnia inguinal é considerada segura, mas como qualquer procedimento pode apresentar complicações, como:

hematoma ou seroma

infecção da ferida operatória

recidiva da hérnia (aproximadamente 1–5%)

dor crônica na virilha (inguinodinea)


A dor crônica ocorre em cerca de 10% dos pacientes, sendo intensa em apenas 2–4% dos casos. 



O que acontece se a hérnia não for tratada?


A hérnia inguinal não desaparece sozinha. Com o tempo ela pode aumentar de tamanho, causar mais sintomas e evoluir para encarceramento ou estrangulamento intestinal (situação de urgência).



Por isso, a avaliação por um cirurgião é fundamental para definir o melhor momento do tratamento.

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Dra Juliana Matsuguma

CRM 162513 | RQE 117689-1




Referências bibliográficas

 

- HerniaSurge Group. Update of the international HerniaSurge guidelines for groin hernia management. BJS Open. 2023.

Fitzgibbons RJ Jr et al. Watchful waiting vs repair of inguinal hernia in minimally symptomatic men. JAMA. 2006;295(3):285-292.

Neumayer L et al. Open mesh versus laparoscopic mesh repair of inguinal hernia. New England Journal of Medicine. 2004;350:1819-1827.

Simons MP et al. European Hernia Society guidelines on the treatment of inguinal hernia in adult patients. Hernia. 2009.