Diástase Abdominal: Cirurgia com Técnica Minimamente Invasiva (MILA)
A diástase dos músculos reto abdominais é caracterizada pelo afastamento dos músculos da parede abdominal na linha média, causado pelo enfraquecimento da linha alba, estrutura fibrosa que une os músculos retos.

Quando a diástase é significativa, pode provocar sintomas como fraqueza abdominal, abaulamento do abdome, dor lombar e disfunção do assoalho pélvico. Nesses casos, o tratamento cirúrgico pode ser indicado.
Entre as opções modernas de tratamento está a reconstrução minimamente invasiva da linha alba, conhecida como MILA (Minimally Invasive Linea Alba reconstruction).
O que é a técnica MILA?
A técnica MILA é um procedimento cirúrgico minimamente invasivo desenvolvido para corrigir a diástase abdominal por meio da reconstrução da linha alba, restaurando a anatomia e a função da parede abdominal.
Diferente das técnicas tradicionais abertas associadas à abdominoplastia, o MILA busca reconstruir a parede abdominal com pequenas incisões, preservando a estética e reduzindo o trauma cirúrgico.
O objetivo da cirurgia é:
• aproximar novamente os músculos retos abdominais
• reconstruir a linha média abdominal
• restaurar a função do chamado core abdominal
• reduzir o abaulamento do abdome
Como é feita a cirurgia para diástase com técnica MILA?
Nessa técnica, realizamos pequenas incisões na parede abdominal para reconstruir a linha alba através da videolaparoscopia.
Os principais passos do procedimento incluem:
1. acesso minimamente invasivo à parede abdominal
2. liberação e mobilização dos músculos retos
3. reconstrução da linha alba com sutura contínua
Em alguns casos, especialmente quando há hérnia umbilical ou epigástrica associada, pode ser indicado o uso de tela cirúrgica para reforço da parede abdominal e redução do risco
de recidiva.
Quais são as vantagens da cirurgia minimamente invasiva para diástase?
A reconstrução minimamente invasiva da linha alba apresenta diversas vantagens em relação às técnicas abertas tradicionais:
• incisões menores
• menor trauma cirúrgico
• menor risco de complicações de ferida
• recuperação mais rápida
• menor tempo de internação
• preservação estética do abdome
Além do benefício estético, a cirurgia pode proporcionar melhora da estabilidade do tronco e da função abdominal, reduzindo sintomas como dor lombar e sensação de fraqueza
abdominal.
Quem pode se beneficiar da técnica MILA?
A cirurgia pode ser indicada para pacientes que apresentam:
• diástase abdominal significativa
• abaulamento persistente da parede abdominal
• fraqueza da musculatura abdominal
• dor lombar associada à instabilidade do core
• diástase associada a hérnia umbilical ou epigástrica
Pacientes com excesso de pele abdominal podem necessitar de intervenção conjunta com o Cirurgião Plástico, sendo realizada a mini-abdominoplastia ou aplicação de técnicas para
redução da flacidez. Há ainda a possibilidade de abordagem concomitante com a lipoaspiração, nos casos indicados.
Como é a recuperação após a cirurgia?
A recuperação após a cirurgia de diástase com técnica minimamente invasiva costuma ser mais rápida do que nos procedimentos abertos.
Nos primeiros dias, recomenda-se:
• evitar esforço físico intenso
• evitar aumento da pressão abdominal
• caminhar precocemente
• utilizar cinta abdominal quando indicado
Após a cicatrização inicial, a reabilitação do core abdominal com fisioterapia pode ser recomendada para restaurar a função muscular e otimizar os resultados da cirurgia.
Considerações finais
A reconstrução minimamente invasiva da linha alba (MILA) representa uma evolução no tratamento cirúrgico da diástase abdominal, permitindo correção anatômica e funcional da parede abdominal com menor morbidade cirúrgica.
A escolha da melhor técnica deve sempre ser individualizada, levando em consideração fatores como:
• grau da diástase
• presença de hérnias associadas
• qualidade da pele abdominal
• sintomas do paciente
Uma avaliação especializada é fundamental para definir a estratégia terapêutica mais adequada.
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Dra Juliana Matsuguma
CRM 162513 | RQE 117689-1
Referências científicas:
- Köhler G, Fischer I, Kaltenböck R. Minimal invasive linea alba reconstruction for the treatment of umbilical and epigastric hernias with coexisting rectus abdominis diastasis. J Laparoendosc Adv Surg Tech A. 2018.
- Köckerling F et al. Endoscopic-assisted linea alba reconstruction plus mesh augmentation. Frontiers in Surgery. 2016.
- Muysoms FE et al. European Hernia Society guidelines on rectus diastasis. Hernia. 2021.